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Transtorno

 

 

Após voltar da guerra do Afeganistão, um soldado de elite francês, Vincent (Matthias Schoenaerts), diagnosticado com estresse pós-traumático, recebe a tarefa de ser segurança da esposa, Jessie (Diane Kruger), e do filho de um empresário libanês enquanto este se encontra fora da cidade. Ao passo que começa a se interessar por Jessie, ele percebe que uma ameaça se aproxima.

A diretora e roteirista Alice Winocour em seu segundo filme, seu debut foi em Augustine (2012), parece ter escrito e dirigido o filme para o excepcional ator Schoenaerts. Com seus planos fechados, colados no protagonista, acompanhando-o incessantemente durante toda a projeção, sua intenção é registrar, de perto, todas as ações e reações desse fantástico ator. Sua câmera intimista desenvolve-se com habilidade nesse quebra-cabeça de atmosfera desconfiada graças ao domínio visual que o ator belga possui. Nesse ambiente instável, onde a agressividade e a quietação oscilam vertiginosamente como a alucinação e realidade, a narrativa estimula a sexualidade e a aflição, no mesmo meio, aumentando a complexidade do cenário.

Winocour maneja uma história sóbria e eficaz abusando dos planos agressivamente próximos para semear um estado de alerta e violência de forma meticulosa elevando o nível da paranoia, a cada minuto arrastado fica mais evidente que algo está prestes a acontecer. Essa manobra da neurose alheia utilizando sons, elementos externos e uma atuação irrefreável de Schoenaerts é o grande feito da jovem diretora francesa. Por meio de uma perturbadora ambientação sonora e visual, os tormentos psicológicos de seu protagonista disseminam, como uma reação em cadeia, para todos os envolvidos.

Todo e qualquer indivíduo possui problemas mentais de menor ou maior grau. Cada pessoa organiza sua identidade em cima de conflitos do inconsciente, local dos traumas e desejos reprimidos na infância. Freud criou uma nova área de estudo - a psicanálise - revolucionando a psiquiatria através da concepção do tratamento pela fala. Para Vincent, adepto dos métodos de tratamento pré-freudianos, apenas a adrenalina do choque o libertará da letargia paranoica, é preciso agir para responder.