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Valley of Love

 

 

Dando continuidade à safra de filmes pesarosos, Guillaume Nicloux resolve contribuir para o tema com sua visão madura e a cadência francesa de ser. Para a missão escalou dois pesos pesados do cinema mundial, Isabelle Huppert e Gérard Depardieu, e a escolha de ambos justifica-se com a proposta de filme que Guillaume pretende imprimir.

 

Os dois formam um casal de meia idade que perdeu o filho há seis meses, depois que ele se suicidou. Eles recebem uma intrigante carta do filho pedindo que os dois se encontrem no Vale da Morte, Califórnia, marcando assim um reencontro dos três. Atônitos com a possibilidade de encontrar o filho falecido eles aceitam fazer a viagem e comparecer ao lugar do convite.

 

Com a imensidão do deserto constantemente como plano de fundo, Guillaume tende ao misticismo, seria o sobrenatural ou apenas um desvario provocado pela ausência e ressentimentos como um sintoma explícito das alucinações que o deserto provoca? Os ecos transcendentais servem como contatos mentais, diálogos oníricos com o ente querido.

 

Aqui, diferentemente de outros filmes que abordam a mesma temática, o luto e a perda são tratados de forma resignada, sóbria, com uma certa nostalgia. O choro é contido, as palavras bem pensadas, há mais reflexão que ação, é como se o luto, apesar de ser um processo natural inerente ao ser humano instalado para a elaboração da perda, pudesse ser sentido e expressado de formas diferentes de acordo com a idade do indivíduo.

 

A frieza narrativa européia em contraponto com o calor excessivo do ambiente se complementam de forma surpreendente, deixando o caminho livre para a dupla de titãs duelar com diálogos espantosamente ordinários e, ao mesmo tempo, geniais.

 

O processo de luto está inevitavelmente presente na dinâmica entre os dois polos da existência humana: a vida e a morte. Este é um processo de reconstrução e reorganização diante de uma perda, desafio psíquico com a qual o sujeito tem de lidar.